Reporter Iedo Ferreira
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Vereadores de SP dispensam carro alugado pela Câmara e escolhem modelo mais caro Postado em: 23 set 2013 | 239 visto

Divulgação

Modelo ilustrativo do Fiat Linea, substituído por 11 vereadores da Câmara Municipal de SP

“O espaço interno é pequeno”, “falta segurança”, “o consumo de gasolina é alto”. Essas são algumas justificativas apresentadas ao iG pela maioria dos 11 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo que abriu mão do carro contratado pela Casa para servi-los e alugou outro modelo – quase sempre mais caro – para rodar pela cidade.

O modelo dispensado é o Fiat Linea zero quilômetro, que custa R$ 52,5 mil pela tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Para fornecer um modelo a cada parlamentar, a Câmara assinou um contrato com uma empresa de Curitiba por R$ 1,8 milhão. A condição é o desconto mensal médio de R$ 2.649,04 da verba de R$ 18.159,38 a que cada vereador tem direito para cobrir os custos do mandato, como serviços gráficos, correios e deslocamentos pela capital.

A opção preferida da maioria é o Toyota Corolla, que custa entre R$ 59,6 mil e R$ 82,3 mil ainda de acordo com a Fipe. O modelo foi escolhido pelo vereador Masataka Ota (PSB), que no final de abril devolveu o Linea e contratou o modelo quatro portas, automático da Toyota ao preço de R$ 1.415,68 por sete dias. Nos meses seguintes, o aluguel do Corolla foi renovado ao preço mensal de R$ 5.309,00.

O vereador justifica a mudança afirmando que o Fiat sofreu “uma falha mecânica no freio da roda dianteira esquerda”. “O vereador optou pela locação do Corolla, um dos veículos mais seguros e confiáveis existentes no mercado”, explica a assessoria do parlamentar.

Reprodução

Recibo de veículo alugado pelo vereador Masataka Ota (PSB): Corolla a R$ 5,3 mil mensais

Quem também elegeu o Corolla foi o vereador Vavá (PT), que desde maio paga R$ 3,8 mil mensais pelo novo carro. “O Corolla é, sem dúvida, de melhor qualidade e mais seguro. E o preço, com seguro, foi o mais baixo do mercado”, justifica.

O vereador Arselino Tatto (PT) não respondeu à reportagem sobre as razões para abrir mão do veículo da Fiat em troca de um Corolla por R$ 3,4 mil mensais, R$ 700 mais caro.

Por R$ 3,2 mil, o também petista Jair Tatto circula de Corolla desde abril. “No automóvel Línea havia problemas elétricos e de potência do motor, que em ruas muito íngremes trafegava com dificuldade”, diz ele.

“O Linea apresentava problemas mecânicos, especialmente na parte elétrica. Estávamos frequentemente utilizando carros reserva para a realização de reparos”, explica o vereador Alfredinho (PT), que desde abril paga R$ 3 mil mensais por seu Corolla.

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Já o vereador George Hato (PMDB) aluga o mesmo modelo da Toyota também por R$ 3 mil desde janeiro: “O veículo novo é mais econômico e raramente dá manutenção, diluindo assim a diferença no valor do aluguel”, garante.

Por um valor mais baixo, mas acima do carro oferecido pela Câmara, o vereador Mário Covas Neto (PSDB) trafega de Corolla desde junho pagando por ele R$ 2.850. “O veículo [da Câmara] não atende minhas necessidades por ter um espaço interno muito pequeno. Por isso, optei por locar, durante um ano, um carro melhor e com um bom custo/benefício.”

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Poucos vereadores optaram por outra marca, como o tucano Eduardo Tuma, que não respondeu à reportagem sobre sua opção de circular com o Chevrolet Cruze ao custo de R$ 3 mil.

Outros três vereadores mudaram de carro, mas escolheram automóveis com preço similar. O petista Paulo Fiorilo paga R$ 140 a menos do que desembolsava pelo Línea ao alugar um Volkswagem Polo: “Fizemos a opção por um veículo similar porém com mais opcionais”.

O vereador Alessandro Guedes (PT) escolheu um Nissan Sentra ao preço de R$ 2.635, enquanto o tucano Floriano Pesaro paga R$ 2,7 mil todo mês por um Chevrolet Cobalt.

Responsável pelos fornecimento do veículo da Fiat para a Câmara, o representante da Cotrans Locação de Veículos, Maurício de Souza, afirmou ao iG  que “jamais recebeu reclamações sobre o modelo por parte dos vereadores” e que o veículo é tão bem avaliado por seus clientes quanto qualquer outro sedã da sua categoria.

Contrato

A assessoria da Câmara explica que a devolução dos veículos e a locação de outro era permitida até julho deste ano, quando o contrato foi renovado. A partir de agora, quem quiser dispensar o automóvel terá de tomar essa decisão um mês antes da renovação do acordo.

A seguradora alega que a devolução dos automóveis poderia trazer prejuízos a ela, abrindo margem para revisão contratual e aumento do aluguel dos carros.

No momento, estão locados 63 veículos, dos quais 40 são para vereadores. O restante é usado para apoio administrativo e frota reserva.

Do Ig